Monday, February 02, 2009

Um exemplo do dia-a-dia que explica o conceito de liberalismo económico

Venda de tabaco no quiosque da Liga Portuguesa Contra o Cancro, situado no edifício principal do Instituto Português de Oncologia.

O slogan podia ser: «Hoje de visita, amanhã quem sabe como cliente».

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Thursday, August 07, 2008

O fundamentalismo dos valores conservadores cristãos não é melhor que o fundamentalismo islâmico

Eu nem sou assim um acérrimo anti-América. Sério que não. E também gosto pouco de generalizações.
Mas ao ver o programa COPS no canal Zone Reality, ao assistir à arrogância da actuação das suas forças policiais, à sua brutalidade e rigidez de pensamento, à superioridade moral demonstrada para com os "comportamentos desviantes", e à sua total incapacidade de empatia e interacção social... não consigo afastar da mente a certeza que este é o povo mais estúpido do planeta.

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Monday, May 05, 2008

Conflito familiar à vista

Esta manhã, soube-me mesmo pela vida tomar o pequeno-almoço e comprar tabaco à custa do irmão da cara-metade. Passo a explicar. Este fim-de-semana houve reunião familiar, devido ao aniversário da minha pseudo-sogra, encontro que decorreu em casa da minha pseudo-cunhada, em Braga.

Após o almoço, fui com o irmão da cara-metade tomar café, a um tasco lá da aldeia. Acontece que o tasco tinha uma sala com bilhar, onde até se podia fumar e tudo. Fui desafiado para umas partidas, com a condição acrescida de haver algum dinheiro envolvido para apimentar o desafio. Acho que o rapaz, com 26 anos de idade, viajante de profissão, queria ganhar algum à minha custa. «1 euro por partida. Estás lixado que sou dos melhores jogadores lá da minha zona» avisou ele.

Nem jogava muito mal. Mas, pelos vistos, não há muitos bons jogadores na zona dele. O segredo do bilhar não é meter bolas. Essa é a fase 2 da aprendizagem, logo a seguir a aprender a pegar no taco. O segredo do jogo é colocar sempre a bola branca no sítio ideal, para preparar a jogada seguinte, seja ela nossa ou do adversário.

Esqueci-me de lhe contar que jogar bilhar é das poucas coisas que sei fazer bem, apesar de hoje em dia jogar apenas umas 2 ou 3 vezes por ano. Aprendi aos 15 anos, estávamos em 1991. Apaixonei-me pelo jogo e passava 10 a 12 horas por dia no salão de jogos do histórico Centro Comercial Stop. Era um cliente tão habitual que o Sr. Domingos, o zelador do salão, deixava-me as chaves dos bilhares e da gaveta das moedas quando ia almoçar. Obviamente, nesse ano, reprovei por faltas ainda antes do Natal. Esse 10º ano foi o único que reprovei. Mas aprendi a jogar bilhar. O meu pai nunca compreendeu os meus critérios de prioridade.
Relacionava efeitos e tabelas com a Teoria da Reflexão da Luz das antigas aulas de Física. Cheguei a participar num torneio, onde falsifiquei a cópia do BI, para ter a idade mínima de participação. No meio de 30 e tal homens, o puto conseguiu o terceiro lugar, perdendo apenas um jogo nas meias-finais. Claro que jogava bem melhor nesse tempo do que hoje (practice makes it perfect), mas alguma coisa fica, é como andar de bicicleta.

Conclusão: o irmão da cara-metade, que já andava meio teso, ficou sem mais 7 euros (resultado de 9-2). E o pingo e croissant desta manhã foram pagos com um sorriso nos lábios. Ainda que a cara-metade esteja chateada comigo por ter sido capaz de aceitar dinheiro do irmão dela.

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Tuesday, April 15, 2008

Ainda a propósito de ideologias...

... neste caso, políticas. É conhecida a minha indefinição política. Liberal, por vezes democrata, tendencialmente de esquerda. Todavia, cada vez mais a comprar esporadicamente uma ou outra ideia de direita, ao nível de modelos sociais.

Ainda por cima, no cenário político nacional, esta indefinição não é fácil, pois os partidos centrais não se distinguem ideologicamente. Dizem que sim, mas na prática... em nada.

Proponho inclusivé que PS e PSD se passem a chamar PP e PCP. E que vão alternando entre si estes dois nomes, em cada eleição legislativa. O que é que isto quer dizer? Não tem nada a ver com Partido Popular ou Partido Comunista Português, mas sim Partido do Poder e Partido Contra o Poder.

Fica a proposta.

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Monday, March 17, 2008

Governo apresenta Projecto Lei para proibir piercings e tatuagens



Já tudo foi dito sobre o tema por essa blogosfera fora. Em resumo: proibição total de furos e tatuagens a menores de 18 anos e proibição a todas as idades de furar a língua e a genitália. O argumento: «questões de saúde», ainda que o Secretário de Estado tenha deixado fugir, por pressão jornalística, a expressão «também por uma questão de bom gosto».

A atitude autocrática e a presunção de bom gosto são reveladoras da pobreza de espírito deste pobre coitado. Porque, já que se fala em bom gosto, se os senhores do Governo tivessem vida sexual activa e se fossem presenteados com um belo de um fellatio acompanhado de piercing, talvez pensassem duas vezes. Mas são muitos -se's-.

E que tal ressuscitar este belo símbolo da Mocidade Portuguesa, uma coisa tão nacional, de valores firmes, bom gosto, e obrigar a juventude rasca a bordá-lo na lapela do blazerzinho, ãh?

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Friday, March 07, 2008

Ou se calhar até não…

Ontem choraminguei um pouco relativamente às desvantagens da consultoria, com alguma nostalgia do contexto intra.
No entanto, umas horas após escrever o último post, voltei a sentir através da cara-metade as desvantagens in-house.

Há quase um ano atrás, explorei aqui as diferenças entre estas duas lógicas de trabalho e não me pretendo repetir. Apenas acrescentar que o facto de executar serviços técnicos após a fase política da venda interna das intervenções, tem o seu quê de conforto, apesar das desvantagens ao nível do desenvolvimento e polivalência de competências, nomeadamente políticas. Porque não se têm de lidar com algumas coisas complicadas de gerir emocionalmente. Como despedir pessoas.

Já o fiz dezenas de vezes no passado e sei o que é. Já despedi um tipo ao final de 15 dias de trabalho, por um erro grosseiro que cometeu, e que demonstrou imaturidade e irresponsabilidade extremas. Decisão minha, sem pressões, mas que ainda assim, apesar de exteriormente inflexível na decisão para com o próprio, me levou alguns dias a digerir. Porque tinha ido buscá-lo a uma grande empresa, onde tinha uma posição e antiguidade consideráveis. E, de repente, ficou desempregado.
Mas há ainda bem pior. Quando não temos a autonomia suficiente para fazermos apenas aquilo que queremos e achamos justo. E, assim, temos de despedir 5 homens que fazem parte da mobília da casa, por imposição de uma Administração, quando o motivo não nos parece justificável para um despedimento, mas apenas para um outro tipo de penalização / repreensão. Também já me aconteceu. Argumentámos, mas quem manda mostra-se completamente irredutível.

E nós executámos, como teve de fazer ontem a cara-metade. E como eu fiz, um dia, com esses 5 homens. Violámos os nossos princípios de integridade, agredimos o nosso sentido de justiça. Tudo por falta de coragem em negar fazer algo que não concordámos e por consideração àqueles que são os nossos compromissos pessoais e familiares. Todos precisámos do emprego. Desta forma, garantimos que mantemos o nosso. Mas a gestão emocional dos nossos actos revela-se difícil. Não conseguimos deixar de empatizar com os alvos da nossa acção, pensamos nas consequências para eles, e por vezes demora anos a atingir a redenção do que não conseguimos deixar de considerar um pecado.

Conclusão de hoje: trabalhar com e gerir a vida de pessoas não é fácil. Mas nada o é. E, como dizia o Gonçalo, «é mais feliz quem ignora».
Acho que, no fundo, às vezes não me apetece é fazer nada. O meu projecto de carreira deveria passar por vender sandálias de couro feitas à mão pelas praias da Jamaica. Isso sim, era bonito.

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Wednesday, January 09, 2008

Uma questão homófona

Diz a cara metade: «Podias pegar no dinheiro das prendas de Natal e comprar a maquineta do Nespresso».
Concordei. Amanhã tentarei passar no Continente e adquirir a Xpress. É um erro natural, que concerteza compreenderá. Uma questão de fonética.

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Saturday, December 01, 2007

Serviço público: a Comunicação Social na promoção da violência

Hoje é dia de clássico de futebol. Um daqueles jogos que eleva a adrenalina, pela rivalidade, pela imprevisibilidade acentuada do resultado. E onde grupos de marginais organizados, num claro fenómeno de comportamento primitivo de massas, arranjam sempre forma de armar a tenda. A imprensa sobe a tiragem e a televisão aumenta a audiência, em função do acontecimento desportivo. Até aqui tudo normal.

Mais uma vez, o objectivo do negócio ultrapassa a ética e o bom-senso. Faz-me uma certa confusão que no Jornal de Notícias de ontem, se dedique uma página inteira a explorar situações de violência vividas nos confrontos anteriores entre as duas equipas. Com depoimentos dos envolvidos e tudo. E que no Jornal da Noite na SIC, se inicie a notícia com o arremesso de cadeiras da época passada, em vez de, sei lá, explorar as tácticas do jogo, talvez...
E faz-me ainda mais confusão que ainda ninguém tenha feito, na mesma Comunicação Social, referência ao facto.

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Monday, November 19, 2007

Era gajo para fazer disto vida...

Já um antigo professor dizia que o século XXI seria o século da informação. A sociedade da informação.
Pois bem, fixe, fixe, é um gajo ter informação privilegiada e arranjar um contacto de um grupo espanhol, que por acaso está a precisar de um determinado projecto, a uma empresa da especialidade. Mais fixe ainda é ganhar por isso uma fatia de 33% da facturação desse projecto, que vale 11200 euros, sem fazer a ponta de um corno.

O meu primeiro dinheiro fácil. Não estou assim muito a par do Código Civil, mas não há aqui nenhum crime envolvido, pois não?

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Wednesday, August 29, 2007

Luis Filipe Menezes: «Estamos a transformarmo-nos numa espécie de Chicago dos anos 30»

Esta afirmação foi, obviamente, na sequência das recentes mortes na noite portuense. Eu tenho uma opinião ligeiramente diferente.

Acho natural a comunicação social empolar os casos, porque vivem disso. Mas quando é um Presidente da Câmara a fazê-lo, ainda que com intenção de aproveitamento político, parece-me irresponsável, ignorante e imponderado, por um lado, e sinal claro de incompetência por outro. Ignorante porque a noite do Porto nunca foi de meninos de côro e não acho que esteja hoje mais perigosa que no passado. Irresponsável porque, com a divulgação da cultura de medo, apenas se está a promover que deixe de ser frequentada pelo cidadão comum, tornando-se cada vez mais um antro exclusivo de criminosos. Sinal de incompetência, porque uma das mortes foi no seu próprio concelho.

Desde o caso Mea Culpa, que, quem ainda não o tivesse sentido na pele, já percebeu o poder mafioso e rivalidades territoriais da chamada segurança privada. Por mim, o cenário actual não é problemático. Os clientes passam ao lado da confusão enquanto os gorilas se matam uns aos outros. De cada vez que um tomba, é menos um a temer. E haja a esperança que a lei da selecção natural, com chumbos de 9 mm, leve aos poucos à extinção da manada.

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Monday, June 11, 2007

Teoria da Conspiração II

Agora com esta novela das torturas, será Leonor Cipriano mesmo inocente do crime acusado, e o desaparecimento de Joana, tal como o geograficamente próximo desaparecimento de Maddie, são exemplos da impotência (palavra simpática) da PJ de Portimão?

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Wednesday, April 25, 2007

A gestão de pessoas e os conflitos de interesse

Vou falar da gestão de recursos humanos. O tema é chato para o contexto deste espaço, concordo. E ainda que o Estado da Coisa seja orientado para os desejos do cliente, o facto de ser meu dá-me também o direito de utilizá-lo, de quando em vez, para exorcitar fantasmas e descarregar frustrações. E mai'nada.

É a minha actividade profissional há praticamente uma década. Nos últimos dois anos, como consultor independente que presta serviços na área da gestão de pessoas (recrutamento e selecção, gestão de competências e desempenho, formação e avaliação). Os meus clientes são empresas especializadas (dizem eles) de consultoria que por sua vez prestam serviços, através de mim, aos seus clientes, organizações que vêm vantagens no outsourcing da gestão de pessoas.

Em termos técnicos, estão na consultoria as melhores práticas e inovações, advindo a vantagem da aprendizagem acelerada, mas confesso que prefiro o contexto intra. Ou seja, no departamento RH de uma empresa, com um negócio qualquer, com uma cultura organizacional humana que assume como estratégica. Porque aí, posso avaliar, a longo prazo, o impacto das minhas medidas e aferir a sua integração em função do negócio.
Entendo que a gestão de recursos humanos tem uma função e um desafio. A função é desenhar o alvo e a seguir sair da frente. Ou seja, desenhar processos, criar ferramentas e formar chefias para que possam elas próprias utilizar essas ferramentas e gerir os seus recursos humanos. Descentralização de poder ou, melhor ainda, o conceito de emporwement. O desafio é conseguir, de uma forma mais clara, traduzir clara e contabilisticamente a relação investimento-retorno. Porque esta gestão não é filosófica, serve um negócio, motivando pessoas de diversas formas com o objectivo de as rentabilizar e gerar lucros.

Ora na consultoria tudo é diferente. A consultoria não tem um negócio qualquer. A consultoria vende serviços de recursos humanos e tem um interesse comercial directo. Costumo dizer que ninguém entrega um diagnóstico de necessidades de formação a uma consultora que venda formação, pois o resultado do estudo será óbvio. Muitas vezes, as medidas mais adequadas e eficazes ao problema do cliente... estão no cliente, são simples e não são facturáveis. Mas a consultoria por vezes adorna, rabusca, complica, confunde e apresenta depois uma solução inovadora. E cara. Surge, por vezes, um claro conflito de interesses.

E a especialização leva ainda a outra entropia. A presunção. Concluir que o colaborador da empresa A não tem capacidade de liderança, após observá-lo um dia em provas de grupo e contexto de assessment é, no mínimo, abusivo e arrogante. E não me venham falar em comportamentos projectivos e janelas de observação, que já não posso com clichet's baratos.
E, no máximo, é desonesto. Porque ao deixar a pista da lacuna na liderança, a seguir vendo mais uma acção de formação. Especializada. Dizem vocês: «Pelo menos para o homem não é mau de todo porque vai aprender qualquer coisa na Formação».
Também não concordo. Porque a formação comportamental não é uma formação de saber fazer, de competência. É antes uma sensibilização de atitude, que pressupõe sempre uma vontade para a mudança e desenvolvimento. E como conseguir isso de um homem que não reconhece justiça na avaliação que lhe é feita? E como aspirar resultados positivos da formação, com impactos no desempenho futuro do colaborador?

E agora sim, vou dormir mais levezinho, até porque já é horinha.

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