Wednesday, July 22, 2009

O resultado de muitas horas de trabalho, dores de cabeça, palavrões e cortes nas mãos...



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Monday, June 22, 2009

Discrição

Sempre gostei de poder seleccionar o que partilho com o mundo. Não partilho muito. Gosto de manter comigo alguns mistérios da minha vida e mente. Não gosto que saibam demais da minha vida. Às vezes nem amigos. Muito menos pessoas com quem me relaciono esporádica ou profissionalmente. Talvez por isso quando um contacto de trabalho qualquer me pergunta pelo meu filho, faço um sorriso amarelo e respondo apenas «Tá tudo», quando apetecia responder «e que tens tu a ver com isso? é importante para o trabalho que estamos a fazer? perguntei-te acaso pelo(s) teu(s)?».

Talvez seja mau feitio. Há uns anos que acho que já passei a fase de partilhar e fazer amigos. A maioria das pessoas que conheço recentemente desiludem-me, pois descubro quase sempre que não têm nada a ver comigo. E isso nota-se em mim. No estrangeiro, fujo quando ouço falar português. Por cá, nunca meto conversa e desmarco-me sempre que alguém com ar perdido e a precisar de amigos, o faz. Não gosto de pessoas complicadas. Aborrecem-me pessoas que falam muito. Irritam-me as questões menores. É um problema a transparência.
Mas também uma virtude. Pois às vezes também conheço raras pessoas que me dizem coisas. Que me ensinam formas de estar e ver. Quando era mais novo, achava que ver nos outros referências, e mesmo imitá-las, podia ser sintoma de falta de personalidade. Hoje acredito que é sinal de inteligência e humildade reconhecer nos outros lacunas nossas e querer adoptar as suas competências. Assim, qualquer sensação de esforço ou iniciativa da minha parte para estar com essas pessoas devia ser encarado por elas como um verdadeiro feito, pois significa mais do que genericamente significa o acto em si. Significa que as coloco num altar muito elevado. Só sorrio quando gosto de facto. Só apareço quando quero muito (ok, e quando posso também).

Como está fácil de ver, alguém com este feitio tem um desconforto acrescido a partilhar a sua vida com o público em geral, com estranhos. Por isso sempre comprei preservativos em estações de serviço e hipermercados, atirando a caixa para o meio das outras compras, algures entre os iogurtes e o arroz carolino, na tentativa de passar despercebido. Não gosto da sensação de olhos nos olhos com um farmacêutico pedir-lhe: «Uma caixa de Control, por favor», quando sei que ele ouve entrelinhas: «Ora finalmente vou pinar». Ao que ele responde: «Caixa de 6 ou de 12?». E eu digo: «De 6» e ele ouve «6 para mim rende à brava e 12 podem estragar-se». Ele insiste: «Dos normais?». E eu digo «Retardante» quando ele entende «É para minimizar a minha ejaculação precoce».
E pronto, num rápido relacionamento comercial está partilhada com o mundo a minha desgraça sexual.

Lembrei-me disto ao ouvir alguém numa farmácia pedir a pílula do dia seguinte. É que eu ouvi: «Pinei ontem, foi uma loucura, perdi a cabeça e caguei para o mundo».

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Sunday, May 03, 2009

Muse - Blackout (Live at Wembley)

don't kid yourself
and don't fool yourself
this love's too good to last
and i'm too old to dream

don't grow up too fast
and don't embrace the past
this life's too good to last
and i'm too young to care

don't kid yourself
and don't fool yourself
this life could be the last
and we're too young to see

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Saturday, February 14, 2009

Longe de mim querer transformar este espaço num baby-blog

Até porque o estilo nem é a minha praia. Mas queria partilhar convosco que, para já, tudo rola. E o tempo voa. Apenas ao sexto dia (ainda assim fui mais rápido que o Criador) consegui sentar-me a fumar o belo charuto de festejo, bebericando uma Corona e a olhar o horizonte.

Adaptações. E nem me posso queixar, porque afinal o puto só dorme. Parece que nem há menino. Até quando um ateu reza, a coisa resulta, pelos vistos. Quando não dorme, está no seu sossego a observar e ouvir o mundo. Chorar e berrar, até ver, não é com ele. E tenho a dizer-vos que adora Gotan Project, Bliss e T3+uns! Ah pois é... para a semana, com os tímpanos já mais calejados, começa a experimentar um poprock...

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Thursday, February 05, 2009

Nasceu o Messias



Ok, não é Messias. É Duarte. Mas é como se fosse.

(ainda assim, ando aqui com uma sisma que o puto só me faz lembrar um amigo meu, rai's parta...)

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Monday, February 02, 2009

Um exemplo do dia-a-dia que explica o conceito de liberalismo económico

Venda de tabaco no quiosque da Liga Portuguesa Contra o Cancro, situado no edifício principal do Instituto Português de Oncologia.

O slogan podia ser: «Hoje de visita, amanhã quem sabe como cliente».

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Monday, December 29, 2008

Crise de meia idade - Parte 197

Acho que já escrevi sobre isto, não tenho a certeza e não me apetece ir ver o arquivo. De qualquer forma, tenho pensado em alguns indicadores claros que demonstram que um homem está a ficar velho. Não sei bem quando isso acontece, em termos temporais, a mim manifesta-se desde o início dos anos 30. A lista depois completo conforme novos dados forem surgindo:

1 - Receber no Natal meias, cuecas e pijamas como presente. (Não falha, já me acontece há uns anos. Indicador da época.)

2 - Passar a passagem de ano com a família. (Já não há paciência para discotecas e, por opção qualidade / preço, não se escolhe esta altura para viajar. Também um indicador da época. Também acontece há um par de anos.)

3 - Na noite, o povo trata-nos por você. (Acontecimento relativamente recente, mas marcante. Significa: cota.)

4 - Os grupos de putos na rua escondem o charro à nossa passagem. (Também recente. Também significa o mesmo: cota.)

5 - Quando nos apetece um copo, nunca há um amigo disponível, porque também eles têm a nossa idade e, como tal, são praticamente todos casados, com filhos, com empregos certos, responsabilidades, levantam-se cedo, blablabla. Daí que as saídas nocturnas sejam um fenómeno cada vez mais raro. (Não há paciência para fazer novos amigos nem para conversa de chacha. Confere.)

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Tuesday, October 14, 2008

Post fora de horas

Hoje o tema na Prova Oral da Antena 3 era qualquer coisa relacionada com motivação ou liderança. Tinha lá um convidado espanhol que era (julgo eu) psicólogo do desporto e que tinha uns prismas de ideias interessantes. Pena que o formato do programa não permitisse uma abordagem que o tema merecia.
Primeiro porque o Alvim é um demente. Um muito superior demente, mas um demente. Uma mente brilhante afogada em hormonas. E misturar sexo e liderança na mesma ideia é giro, mas não acrescenta. Segundo, porque, quais comensais famintos, os participantes que ligavam logo tratavam de deixar fluir histórias e exemplos de quão triste é a sua realidade profissional, como os nossos empresários não sabem motivar, que no estrangeiro, esse belo país, é que é bom, que a mim ninguém me liga. Enfim, o sermão do costume.
Eu, de telemóvel em riste, bem tentei mais uma participação espectacular, com a genialidade que me assiste, de forma a elevar o padrão, mas não consegui ligação. Frustrei. E então decidi trazer para este espaço a catarse. Aturem-me os leitores, menor mas seleccionada audiência.

Existem muitas teorias de liderança. Importa, talvez, compreender primeiramente o que é, de facto, esta coisa esotérica. Liderança não é mais do que levar um grupo a atingir objectivos. Ponto. Seja de que maneira for: pode ser com uma chibata - existe uma coisa chamada motivação por medo que, salvo os respectivos inconvenientes, funciona que é uma maravilha, em especial nas épocas em que a procura de emprego é superior à oferta e assenta na seguinte máxima: “ou fazes ou fodes-te” - simples mas sincero; pode ser com uma cenoura, como se faz aos burros – a tecnicamente denominada motivação por recompensa “fazes e dou-te um doce”, criando assim uma matilha de cães de Pavlov.
Faça-se uma pausa no raciocínio. Parece-me que estamos a falar de motivação. Pois parece-me então que liderar é uma soma entre dois saberes: saber motivar e saber organizar (distribuir trabalho, comunicar, objectivar, avaliar, acompanhar). Pensando no futebol, o treinador tem essencialmente de saber incutir o chamado espírito de equipa (que não é mais do que saber motivar os indivíduos e a equipa, criando objectivos comuns, cooperação, confiança, coesão), mas tem também de saber organizar a táctica, espalhando os recursos pelo relvado e dando direcções quanto aos fluxos de jogo, leia-se trabalho. Excepto se for treinador do Porto, que nem isso precisa.
«Ok, meu, porra de seca, mas onde queres chegar?» perguntam os ansiosos leitores.
Quero eu chegar que, sendo eu um gajo que escolheu gerir pessoas em contexto de trabalho como carreira (compreenda-se que tinha uns imaturos 19 anos no momento da decisão), tenho a dizer que isto é tudo uma tanga do caraças. E, aliás, digo-o aos meus formandos de liderança e gestão de equipas, o que fica sempre bem e credibiliza. Teorias de liderança são como os chapéus, há muitas: liberal, democrática, autocrática, contingencial, situacional, paradigmática, cartesiana. Até o Mourinho tem uma (completamente anti-cartesiana, refira-se, mas poupo-vos ao entediante pormenor). Todos os líderes as deviam saber / querer / poder / conseguir aplicar, consoante a amostra de colaboradores que possui, com vista à eficácia que se traduz em (ora vamos lá outra vez, agora em coro) “levar um grupo a atingir objectivos”. Nas minhas dissertações lunáticas, tento ajudar no saber e no querer, ou seja, na competência e na atitude de quem manda. E constato que ambas estão lá, mais ou menos entorpecidas. Mas eis que depois a aplicabilidade no terreno é impregnada de entropias quando esbarra numa coisa que os sociólogos e antropólogos chamam… como é… ah, a cultura do povo.
E somos então chegados a uma bela marmota de rabo na boca. Os líderes (leia-se chefes) não sabem motivar, apontam os camaradas do proletariado. Os colaboradores (leia-se bestas) são preguiçosos e não querem ser motivados, acusam os fachos empresários. Então agora vamos reflectir mais um pouco, sem magoar claro está, na motivação. A definição básica: “levar alguém a fazer algo pela sua própria vontade”, “aquilo que nos leva a satisfazer uma necessidade pessoal”. Animar a malta, uma palmadinha no ombro, fazer uma festa, um aumento, um bacalhau no Natal. O que queremos é ver a malta feliz. Viva a motivação!
Agora … para quê a motivação? Porque os fachos empresários têm a obrigação, tal Santa Casa da Misericórdia, de fazer pela vida da malta? Lamento descair para a direita, mas ao motivar homens a intenção é puramente capitalista (tal como a tão em voga responsabilidade social é na sua essência uma estratégia de marketing). Pessoas motivadas rendem mais, acredita-se. Seja de que forma for, com a tal chibata, a cenoura ou qualquer outra forma mais poética. E foi esta parte que se esqueceram de me falar na Faculdade: no negócio. No sítio onde há pessoas para motivar, existe um negócio. Fiquei de boca aberta a primeira vez que reparei.
Posto o prólogo, existem também teorias de motivação para os gostos mais e menos requintados. Todas começam no mesmo, o dinheiro. Proponho o seguinte exercício: o leitor vai começar a trabalhar para mim e eu, gajo porreiro, pago-lhe 5 mil euros mensais, de modos a que o meu amigo, satisfeito e motivado, não tenha mais essa preocupação tão terrena. Ora o meu amigo, em troca de tal pipa de massa, vai dar-me em troca, ao longo dos meses, uma mais ou menos estável produtividade. Pois, não esquecer que uma relação de trabalho é uma balança que se pretende equilibrada. Vai daí, eu mais uma vez um gajo porreiro, decido aumentar o meu amigo para 6 mil euros. O que acontece? No primeiro e quando muito segundo mês, o gráfico de produtividade do meu amigo, tal como a taxa Euribor, dispara. Para logo a seguir voltar em baixa exactamente aos mesmo níveis pré aumento salarial. Moral da história: no (único) sentido capitalista da motivação, o dinheiro como fonte é disparate. Não traz retorno. Não motiva. Mas evita a desmotivação, o que não sendo a mesma coisa, dá algum jeito.
Voltemos à marmota. O que motiva então as pessoas? Dizem que a auto-estima, o reconhecimento e a auto-realização. Faz-me sentido, mas se voltarmos à marmota e à cultura de um povo dito luso e mediterrânico, vemos que para muita gente não será bem assim. Muita mesmo, o que leva à inevitável e, admito, injusta generalização. Quantos de nós temos empregos que gostamos (auto-estima) e quando não o temos atiramo-nos de cabeça para outro, prejudicando a nossa segurança e zona de conforto? Quantos de nós resmungam pela falta de palmadinhas nas costas e valorização (reconhecimento) mas não nos esforçamos para ser melhores que os outros, mas apenas para ser como os outros, sem dar grande bandeira e, se possível, sem suar muito? Pois.
O que motiva então o português? Pois não sei. Lamento. Mas temo que seja sempre aquilo que não tem. É um bocado como as facadas matrimoniais. Os amantes surgem quase sempre por fenómeno de compensação. Défices de atenção, emoção, compreensão, sintonização, tesão e/ou toda uma panóplia de coisas terminadas em –ão, que nestas coisas do coração é sempre em grande. Falta sempre qualquer coisa e a galinha da vizinha teima em ser sempre melhor que a nossa. Se a esposa tem um marido bronco, arranja um caso com um intelectual. Se tem um intelectual, arranja um amante que seja bom na cama. Tudo certo, nada a opor antes a louvar. Pelo menos aqui algo é feito por iniciativa para compensar a necessidade insatisfeita. Mas no emprego não. Falta sempre algo e ainda bem. Só para nos podermos queixar. Não para fazer algo que contrarie a tendência. E se, por azar, algum iluminado líder corresponde, logo temos que descobrir outra lacuna motivacional. É o estado de insatisfação permanente.
A conclusão a que hoje se chega: a motivação que tanto se fala e que tanto se aguarda pacientemente é uma treta. T-R-E-T-A. A motivação vinda dos outros podia, devia e era inteligente acontecer. Dos chefes, da esposa, dos amigos. Mas a principal motivação é a que vem de dentro de cada um de nós. E essa não depende de ninguém. A título de exemplo: a coragem, a mudança, a garra, o entusiasmo, a atitude positiva.

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