Tuesday, November 11, 2008

Serviço Público

Eu já roubei a minha nova imagem!
João Albino em grande forma prova que a estética não é estúpida, pelo contrário.

Sermente (Cyber Bull)

Labels: , , ,

Friday, March 21, 2008

Porque raio tenho eu um blog?

A pergunta foi-me lançada há uns dias pela Tita, na sequência de mais uma corrente blogosférica.

Demorei a responder. Não por preguiça, mas porque de facto não sabia a resposta. Exigiu alguma introspecção e viagens ao passado, na busca racional do motivo. Não foi fácil, porque o motivo era essencialmente emocional, percebo-o agora.

Começando pelo princípio. Porque decidi dar vida a um blog? Estávamos no ano de 2003. Muito recentemente a minha vida tinha dado uma vida de 180º: havia saído de casa dos pais e como tal mudara de casa, mudara de emprego, mudara de carro, mudara de namorada e, consequentemente, mudara também de penteado e estilo de sapatos. Entre outras coisas. Ora tudo isto, quando acontece em simultâneo, provoca algum stress.

Vai daí, precisava de um escape para todo o turbilhão emocional. Estava a nascer esse fenómeno dos blogs e decidi criar um com o nome O Estado da Coisa. Porquê o nome? Porque o objectivo era dizer mal do estado de tudo e mais alguma coisa, como facilmente se percebe pelos primeiros posts. Apesar de me sentir feliz com as mudanças da vida, passei por uma fase em que interiormente me tornei algo amargo, negativo, arrogante e maldizente. Talvez para melhor gerir algumas dificuldades de redenção, mas isso é outra conversa e não dava outro post, dava um livro.

Depois o tempo passou. E fui alimentando o blog com todo o tipo de conteúdos, sem qualquer espécie de linha condutora. Ora com humor (pelo menos tentei), ora com uma crítica, ora com o descarregar de uma neurose, ora com um cheiro bipolar. Fases com maior e menor criatividade, maior ou menor disponibilidade, tentando sempre manter alguma regularidade. Privilegiei sempre o anonimato para o público em geral, pois seria um espaço para livremente deixar fluir o alter-ego, sem receio de prejudicar a imagem pública e profissional.

A outra pergunta é: porque mantenho o blog? Coloquei a mim mesmo a questão uma vez, pois achei que nada mais tinha a dizer e, como resultado, convidei o Sermente a integrar este espaço. Achei que poderia dar uma outra vida, com as suas filosofias superiores e pensamentos duais que só ele é capaz. Apesar da pouca regularidade que o mesmo faz questão que o defina, a escolha não podia ter sido mais acertada.
Este blog não é famoso na rede. Está prestes a atingir as 25000 visitas, o que é pouco, tendo em conta que tem quase 5 anos completos. E tendo em conta também que a maior parte das visitas vem cá parar ao engano, à procura de pornografia.

É lido por meia dúzia de amigos (vá lá, uma dúzia) e por outra meia dúzia que cá veio parar e, por penitência ou masoquismo, continua a voltar. Também é verdade que nunca foi feito qualquer esforço para publicitar este espaço. Nem sequer pelo recurso à técnica mais simples que é visitar blogs de grande afluência e deixar lá o comentário bem pensado, despertando a curiosidade das plateias. Nem escrevendo comercialmente para a mesma.

Quanto aos que leio são muitos, mas não comento. Entro e saio despercebido como quem vai a uma festa de alguém que já tem muitos amigos e então faz questão de se manter a um canto, observando e sem disputar o protagonismo no meio de tanto comensais.
Há apenas meia dúzia (vá lá, uma dúzia) de blogs que comento. De amigos, que por pena minha não são muito regulares. E também de pessoas que não conheço pessoalmente, mas que pela forma de pensamento e/ou escrita, sinto empatia e por isso vou mantendo contacto, ainda que nem sempre comente os seus textos, como é o caso de quem me colocou a pergunta de hoje. E não comento muito porque muitas vezes não há o que comentar e não gosto de dizer-alguma-coisa-pela-obrigação-de-dizer-presente-embora-não-tenha-nada-para-dizer-e-tenha-acabado-de-estragar-um-post-porreiro-com-um-comentário-de-merda.

Mantenho o blog por persistência. E por me dar gozo ler coisas que escrevi há anos e me dão, hoje, uma certa sensação de vergonha. E me lembram os sentimentos da altura. É o diário que nunca tive em puto. Eu, que nem sequer tenho álbum de fotografias e nunca fui dado a registos do passado.

Como tudo, talvez um dia coloque o último ponto final. Imagino-me a imprimir todos os posts e a guardá-los numa gaveta. Sou um nostálgico. Um saudosista. Mas isso só um dia.

P.S. Sermente, voltei a dar-lhe nas linhas. Se não gostas do romance, tens de colocar o 112 mais à mão.

Labels: ,

Monday, October 08, 2007

BNC – Bom Na Cama

Mais uma corrente, desta vez nomeado pela Picas com o galardão BNC – Bom Na Cama. E o que é isto? Segundo os autores da corrente, «Este é apenas um exercício de imaginação. Afinal, o erotismo está no cérebro, não é? O corpo reage, o cérebro age.».
As regras também dizem que agora tenho de nomear outros cinco, independentemente do sexo, e que não pode ser nem o remetente da nomeação nem ninguém que eu conheça pessoalmente. Lá está, o exercício da imaginação.

Antes disso, deixem-me realçar as razões pelas quais me foi atribuído o galardão. Um orgulho. Como poderão constatar todas elas sexualmente plausíveis.

1. Porque é um homem do Norte. (Ok, já tinha ouvido uns rumores sobre a masculinidade sulista, que, pelos vistos, mais uma vez se confirma. Até conheço alguém que diz que eles lá gostam é de ler. Em ambos os casos, e para que não me acusem de bairrismo provinciano, não são palavras minhas.)

2. Porque trabalha em Recursos Humanos, que é (de longe) a área que emprega melhores profissionais BNC. (Não consigo empatizar. Em mim, os profissionais RH que conheço têm um poder erótico semelhante a uma visão do Alberto João Jardim nas águas de Porto Santo.)

3. Porque frequenta festivais de Verão. (Uma maluca. Ela sabe o erotismo de uma tenda no meio de um campo lavrado no Alto Minho, com musica ao vivo de fundo a 1,5 quilómetros de distância. Sabe também o poder sexual das substâncias canabinóides. E, pelos vistos, não se importa que os corpos não vejam sabonete há 72 horas.)

4. Porque me acha parecida com a Rita Egídio. (comentários reservados)

Adiante… Nomear outros cinco é que não vai ser tarefa nada fácil. Primeira regra a ter em conta: blog que fale muito em sexo ou que contenha insinuações desse cariz esconde um(a) blogger frustrado(a). Não falha. Já Freud dizia: «A fala é, não raras vezes, o principal substituto do falo.»

Assim sendo, vou nomear:

- O Pacheco Pereira (abrupto.blogspot.com). Porque aquela barba deve fazer milagres. E pelo estilo pausado. E porque é um gajo que se sente sozinho, pelo que se lhe derem oportunidade, ele corresponde.
- O Bruno Nogueira (corpodormente.blogspot.com). Porque a Maria Rueff tem ar de exigente. E porque vê-lo sem roupa sempre garantirá uma gargalhada.
- O Pedro Santana Lopes (pedrosantanalopes.blogspot.com). Porque sai muito à noite. Não lhe falem é no Mourinho, senão lá se lhe vai a tusa.
- O Herman José (hermanjose.blogspot.com). Porque quem pinta assim o cabelo, deve fazer qualquer coisa na cama. E pela versatilidade.
- A Floribella (floribellaptblog.blogs.sapo.pt). Porque normalmente as meninas pobres, boazinhas e confusas revelam-se na horizontal.

Labels:

Thursday, August 16, 2007

Saia mais uma corrente!

Prova da popularidade crescente do Estado da Coisa (consta que já temos 5, vá lá, 4 leitores), fui convidado pela Tita a escarrapachar aqui 7 dos meus mais íntimos segredos, numa daquelas correntes que proliferam na blogosfera.

Ora se Fátima só tinha três segredos, como haverei eu de ter logo sete? Não é fácil até porque a minha vida é um livro aberto, embora vedado apenas a alguns clientes da biblioteca. Logo, não serão porventura segredos, mas sim, em alguns casos, particularidades. Particularidades essas que os leitores mais antigos do Estado da Coisa (3, vá lá, 2 leitores) já terão aqui lido noutros contextos.

1º Lido muito mal com a morte. Penso que será fruto do meu ateísmo em conjugação com alguns recalcamentos infantis. Com a minha e com a das pessoas mais próximas. Neste último caso, por sentir a inevitável proximidade, penso nisso mais do que devia e tenho receio de, quando os momentos chegarem, não saber como encaixá-los. É daqueles meus raros momentos em que a emoção me tolda a razão.

2º Sou incoerente no que toca à simbiose entre a minha vida pessoal e profissional. Quem me conhece pessoalmente, dificilmente me imagina um profissional e as pessoas com quem privo a nível exclusivamente profissional não podem sequer ter conhecimento das minhas actividades pessoais, sob pena de algum descrédito. O paralelismo foi a opção que fiz. As outras seriam mudar a minha essência ou a minha profissão.

3º Como homem feliz com a sua vida, não me arrependo dos meus actos e percurso passado, incluindo os (muitos e naturais) erros. Assumo antes a aprendizagem daí decorrente (teoria do sucesso via tentativa e erro), e vivo virado para o futuro. Mas, ainda assim, acredito que todos temos os nossos fantasmas. E alguns fazem com que se procure incessantemente uma redenção que não chega. Por isso me diz tanto esta frase do filme Levity (2003): «Li um livro escrito no séc. XI que dizia que havia cinco passos para obter o perdão. O primeiro era confessar o que tinhas feito. O segundo era teres remorsos. O terceiro era compensares quem prejudicaste. Só depois podias passar para o quarto passo, que era fazeres as pazes com Deus. Mas só depois do quinto passo vinha a verdadeira redenção. E esse era voltar ao mesmo lugar, à mesma situação, e não voltares a fazer a mesma coisa. Só que não estou a ver um deus a abrir-me os braços. Isso arruma o passo quatro. E, quanto ao quinto, o tempo não nos deixa voltar segunda vez ao mesmo lugar, por muito que o desejássemos. E é por isso que sei que, no meu caso, não há redenção.»

4º Começa a preocupar-me ser um puto de 31 anos. Solteiro, sem filhos, sem bens registados. Apenas um gosto apurado pelo princípio do prazer. Sinto-me bem na minha juventude e conservada imaturidade, mas quando olho à minha volta, e pela divergência com o meu mercado de referência, desconfio que isso já não é tanto uma vantagem.

5º Tenho um sentido de justiça excessivamente apurado, que nem sempre é o legal ou socialmente aceitável. Isso faz de mim um ser que, quando é confrontado com genuína maldade, reage com o pior que há em si. Dar a outra face não me conforta. Preciso dar o troco na inflacionada proporção ao alvo da injustiça para me sentir aliviado e, de seguida, poder esquecer e até perdoar. Culpa da minha mãe que sempre me ensinou: «Por cada filho da puta, há sempre um filho da puta e meio.»

6º Não perceber nada de música e não saber tocar um único instrumento é uma das minhas grandes frustrações. Quase todos os dias digo a mim mesmo que ainda vou a tempo de aprender qualquer coisa. Aqui a culpa é do professor de Educação Musical no 5º ano do ciclo que só punha um gajo agarrado à flauta e ao xilofone a tocar Paul McCartney e a banda sonora de uma série televisiva de kung fu que existia na altura.

7º Menti no ponto 3. Arrependo-me até hoje de não ter ido ao concerto de Pearl Jam, no Restelo, em Maio de 2000.

Não passarei a corrente a ninguém. Primeiro, porque os leitores do Estado da Coisa têm ar de ter segredos demasiado chocantes e com cariz marcadamente criminal. Depois porque duvido que alguém os queira revelar. Se estiver enganado, considerem-se convidados e tenham o obséquio.

Labels: